Quanto ganha um pintor em 2026: salário CLT, diária, preço por m², especialidades que pagam o dobro e como sair da faixa dos R$ 2.000
Pintor CLT ganha mediana de R$ 2.000 em 2026 (CBO 7166-10). Autônomo fatura R$ 3.500-R$ 6.000/mês. Veja piso por estado, valor do m², textura, fachada e NR-35.
Engenheiro Eletricista (UNESP)
O pintor que só faz parede lisa ganha R$ 2.000 por mês de carteira assinada. O que aplica textura e grafiato cobra R$ 60 a R$ 100 o metro quadrado. E o que pinta fachada de prédio com certificação NR-35 fatura acima de R$ 5.000 por mês como autônomo. A mediana nacional do Pintor de Obras (CBO 7166-10) é de R$ 2.000/mês na CLT, com piso de R$ 1.518 e teto de R$ 3.200, segundo dados do CAGED compilados pelo Salário.com.br. Quanto ganha um pintor no Brasil depende de três decisões: regime de trabalho, tipo de serviço e região.
Se você pesquisou quanto ganha um pintor para decidir se entra na área ou para negociar melhor, aqui estão os números reais. E se vai contratar um, entender a tabela de preços evita pagar caro demais — ou barato demais, que costuma sair mais caro.
O CBO 7166-10 e a mediana CLT do pintor de obras
O Pintor de Obras registrado em carteira (CBO 7166-10) ganha em média R$ 2.120 por mês para uma jornada de 44 horas semanais. A mediana — o valor que divide a categoria ao meio — fica em R$ 2.000. O piso salarial mínimo registrado no CAGED é de R$ 1.518 e o teto chega a R$ 3.200 (Salário.com.br, CAGED 2025).
Esses valores consideram apenas o salário-base anotado em carteira. Adicional de insalubridade (contato com solventes, poeira de lixamento e produtos químicos), horas extras e periculosidade — quando o serviço exige trabalho em altura acima de 2 metros, conforme a NR-35 — não entram nessa conta. Também não entram benefícios como vale-transporte, cesta básica e EPI fornecido pela construtora.
Na prática, a maioria dos pintores CLT ganha entre R$ 1.700 e R$ 2.800. Quem ultrapassa R$ 3.000 com carteira assinada geralmente trabalha em construtora de médio porte, manutenção predial ou pintura industrial. Para comparar: o pedreiro CLT ganha mediana de R$ 2.100, o eletricista fica em R$ 2.400 e o servente em R$ 1.600. O pintor fica na faixa mais baixa entre os profissionais qualificados da construção civil.
Quanto o pintor ganha por nível de experiência
O CAGED divide os profissionais em três níveis com base no tempo de carteira e na complexidade da função. Os números do pintor de obras ficam assim:
| Nível | Experiência | Salário médio |
|---|---|---|
| Nível I (júnior) | Até 4 anos | R$ 2.180 |
| Nível II (pleno) | 4 a 8 anos | R$ 2.907 |
| Nível III (sênior) | 8+ anos | R$ 3.755 |
A diferença entre o júnior e o sênior chega a 72%. São R$ 1.575 a mais por mês — quase R$ 19 mil por ano. O salto maior acontece entre o Nível I e o Nível II: quem passa dos 4 anos de carteira e domina serviços além da pintura lisa — preparação de superfície, massa corrida, selador, aplicação com compressor — sobe de patamar rápido.
O pintor que fica no Nível I por muito tempo é aquele que só aplica tinta com rolo. Quem aprende a diagnosticar problemas na parede (umidade, eflorescência, trincas no revestimento), preparar a superfície do zero e aplicar acabamentos especiais sai dessa base em dois ou três anos. A construção civil brasileira precisa de pintores que entendam de alvenaria, saibam preparar contrapiso antes de pintar piso epóxi e consigam identificar problemas de impermeabilização que afetam a pintura.
Diária, metro quadrado ou empreitada: três formas de cobrar
Entender quanto ganha um pintor na CLT é só uma parte da história. A grande virada financeira está no autônomo que cobra por serviço. E aqui existem três modelos, cada um com vantagens e riscos diferentes.
Diária é o formato mais simples. O pintor combina um valor fixo por dia de trabalho. Em 2026, a diária de um pintor residencial varia entre R$ 200 e R$ 350 dependendo da cidade e da experiência. Em São Paulo e Rio, pintores experientes cobram R$ 300 a R$ 400 por dia. No Nordeste, a faixa é de R$ 150 a R$ 250. Quem trabalha 22 dias por mês a R$ 280 por dia fatura R$ 6.160 bruto — três vezes a mediana CLT.
Metro quadrado é o modelo mais usado em empreitada residencial. O preço da pintura interna lisa (selador + massa + 2 demãos de tinta acrílica) fica entre R$ 18 e R$ 35 por m² só de mão de obra. Para pintura externa, o valor sobe para R$ 25 a R$ 45 por m² — a tinta precisa ser específica para fachada, a argamassa de regularização custa mais e o preparo da superfície é mais trabalhoso, às vezes exigindo remoção de rejunte deteriorado. Um apartamento de 60 m² tem cerca de 150 m² de parede pintável. A R$ 25/m², o pintor fatura R$ 3.750 num serviço que leva 5 a 7 dias. Divida por 6 dias: R$ 625 por dia efetivo.
Empreitada fechada é quando o pintor fecha o serviço completo por um preço único. Um apartamento de 2 quartos sai entre R$ 3.000 e R$ 5.500 dependendo do estado das paredes. O risco é do pintor: se a parede precisar de mais preparo do que o previsto, o lucro diminui. Mas pintores experientes sabem avaliar a superfície antes de fechar preço — e é aí que a experiência vale dinheiro.
Especialidades que mudam o patamar de renda
Quando alguém pergunta quanto ganha um pintor, a resposta muda completamente conforme a especialidade. O pintor de parede lisa é commodity — tem muita oferta e pouca diferenciação. Quem se especializa sai dessa competição e cobra mais. Cinco especialidades pagam acima da média no Brasil em 2026:
Pintura industrial (CBO 7233-15) é a que mais paga na CLT. O pintor industrial ganha mediana de R$ 2.622/mês, com teto de R$ 4.030 (Salário.com.br). Trabalha em estruturas metálicas, tubulações, tanques e equipamentos. Exige conhecimento de jateamento abrasivo, aplicação de primer epóxi e tintas especiais — além de dominar normas como a NBR 15156 e ter registro no CREA quando a obra exige ART. É serviço pesado, geralmente em indústrias, plataformas e estaleiros.
Pintura automotiva (CBO 7233-20) é outra faixa diferenciada. O pintor de automóveis ganha mediana de R$ 2.340/mês na CLT, com Nível III chegando a R$ 4.050. O autônomo que tem cabine de pintura própria e atende oficinas de funilaria fatura entre R$ 4.000 e R$ 7.000 por mês — mas o investimento em equipamento é alto. Uma cabine básica custa acima de R$ 30 mil.
Textura e grafiato são as especialidades mais acessíveis para quem quer subir de faixa sem sair da pintura residencial. O grafiato paga entre R$ 60 e R$ 100 por m² de mão de obra — duas a três vezes mais que a pintura lisa. A aplicação exige técnica: a massa não aceita emenda, precisa ser aplicada e riscada na mesma sessão. Pintor que domina textura projetada (com compressor) e marmorização cobra ainda mais.
Pintura predial e de fachada exige certificação NR-35 (trabalho em altura) — curso de 8 horas com reciclagem a cada 2 anos. O pintor predial que trabalha em andaime suspenso ou rapel ganha adicional de periculosidade de 30% sobre o salário-base na CLT, e como autônomo cobra diárias de R$ 400 a R$ 600 pelo risco envolvido. É um nicho com menos concorrência justamente porque muitos pintores não querem — ou não podem — trabalhar em altura.
Efeitos decorativos (estêncil, pátina, cimento queimado, papel líquido) são a porta de entrada para o mercado de alto padrão. Não existe tabela oficial de preço — o profissional cobra por projeto. Um painel de cimento queimado de 10 m² pode custar de R$ 1.500 a R$ 4.000 dependendo da técnica e do acabamento. Pintores que dominam efeitos decorativos geralmente também fazem forro e trabalham junto com gesseiros em projetos integrados — e a cotação de um projeto completo (pintura + gesso + acabamento) sobe bastante.
Piso salarial por estado: o que o dissídio garante
O piso salarial do pintor é definido pela convenção coletiva de cada estado. É o mínimo que a construtora pode pagar com carteira assinada. Ganhar menos que o piso do dissídio é irregularidade trabalhista — reclamação na Justiça do Trabalho resolve.
| Estado / Região | Piso mensal | Fonte |
|---|---|---|
| São Paulo (capital e RMSP) | R$ 2.665 | SindusCon-SP / Sintracon-SP 2025 |
| São Paulo (Campinas e região) | R$ 2.514 | SindusCon-SP 2025 |
| Distrito Federal | R$ 2.424 | Sinduscon-DF 2025 |
| Rio de Janeiro | R$ 2.360 | Sintraconst-Rio 2025 |
| Minas Gerais (BH e região) | R$ 2.250 | Sinduscon-MG 2025 |
| Paraná (Curitiba) | R$ 2.365 | Sinduscon-PR 2025 |
| Rio Grande do Sul | R$ 2.200 | Sinduscon-RS 2025 |
| Goiás | R$ 2.100 | Sinduscon-GO 2025 |
| Bahia (Salvador) | R$ 1.850 | Sinduscon-BA 2025 |
| Pará (Belém) | R$ 1.900 | Sinduscon-PA 2025 |
Perceba a diferença: o piso de São Paulo (R$ 2.665) é 44% maior que o da Bahia (R$ 1.850). Essa variação reflete o custo de vida regional e a força dos sindicatos em cada estado. O pintor que considera mudar de estado para ganhar mais precisa colocar na conta o aluguel — em SP, a diferença de piso às vezes é consumida pelo custo de moradia.
A data-base dos dissídios da construção civil é maio. Ou seja, em maio de 2026 os valores serão reajustados. Se você é pintor CLT e não recebeu o reajuste no mês seguinte ao dissídio, cobre do empregador — é obrigatório.
Pintor residencial vs predial: dois mercados diferentes
O pintor residencial trabalha dentro de casas e apartamentos. O serviço é mais leve, o risco é menor e a concorrência é enorme. A maioria cobra por diária ou m² e depende de indicação boca a boca ou plataformas como GetNinjas e Triider. O faturamento mensal do autônomo residencial gira entre R$ 3.500 e R$ 5.500 com agenda cheia — sem contar material, que em geral o cliente compra.
O pintor predial trabalha em fachadas de edifícios, condomínios e prédios comerciais. Precisa de NR-35, ASO (Atestado de Saúde Ocupacional) com aptidão para trabalho em altura e EPI completo: cinto de segurança tipo paraquedista, trava-quedas, capacete e óculos. Os contratos são maiores — um prédio de 10 andares pode render R$ 20 mil a R$ 50 mil em pintura de fachada, divididos entre equipe de 3 a 5 pintores ao longo de 2 a 4 semanas. O pintor predial autônomo que monta equipe e fecha contrato direto com o condomínio fatura entre R$ 5.000 e R$ 8.000 por mês em meses de agenda cheia.
A transição do residencial para o predial exige investimento: curso NR-35 (cerca de R$ 200 a R$ 500 dependendo da instituição), exame médico com aptidão para altura, e equipamentos de segurança que custam R$ 800 a R$ 1.500 para o kit completo. O retorno vem rápido — em 2 a 3 meses de diárias mais altas, o investimento se paga.
Como subir de faixa sem mudar de profissão
Resumindo quanto ganha um pintor: entre R$ 2.000 (CLT básico) e R$ 8.000 (autônomo predial com equipe). Seis caminhos concretos para quem está na base e quer chegar ao topo:
1. Tirar a NR-35 e atacar o mercado predial. O curso de trabalho em altura tem 8 horas de duração e é oferecido por SENAI, SESI, Senac e escolas privadas. Com o certificado, o pintor acessa contratos de fachada, manutenção predial e obra vertical — todos com diárias superiores. A reciclagem é a cada 2 anos.
2. Fazer os cursos gratuitos da Suvinil. O programa Pintou Parceria oferece treinamentos online e presenciais sobre sistemas de pintura, patologias de parede e postura profissional. A certificação coloca o pintor numa rede exclusiva de profissionais indicados pela marca. A Coral e a Sherwin-Williams têm programas semelhantes.
3. Aprender textura, grafiato e efeitos decorativos. A textura projetada e o grafiato pagam de R$ 60 a R$ 100/m² — o dobro ou triplo da pintura lisa. Um curso de aplicação de texturas custa entre R$ 300 e R$ 800 e se paga no primeiro serviço.
4. Formalizar como MEI. O pintor pode se registrar como MEI (Microempreendedor Individual) com o CNAE correto e emitir nota fiscal. Condomínios e empresas preferem contratar quem tem CNPJ — e muitos só pagam com nota. O MEI paga R$ 75,90/mês de DAS (2026) e tem acesso a previdência, auxílio-doença e aposentadoria.
5. Cobrar por m² em vez de diária. O pintor rápido e eficiente ganha mais cobrando por metro quadrado do que por dia. Um profissional que pinta 40 m²/dia a R$ 25/m² fatura R$ 1.000 — contra R$ 280 de uma diária fixa. A diferença é que o risco é dele: se o serviço travar por problema na parede, o lucro diminui. Mas para quem tem experiência em avaliar superfícies, é a forma mais lucrativa de trabalhar.
6. Montar equipe e virar empreiteiro. O passo final é sair da execução e entrar na gestão. O pintor que monta equipe de 2 a 3 ajudantes, fecha contratos de empreitada e supervisiona a execução funciona como um mestre de obras da pintura. O faturamento bruto pode ultrapassar R$ 10 mil por mês — mas aí entram custos de equipe, transporte e responsabilidade pelo prazo.
A calculadora de pintura do Chama o Pro ajuda a estimar o custo de mão de obra e material por m². Se você é pintor, use para montar seus orçamentos com preço justo. Se vai contratar, use para validar o que o profissional cobrou.
Perguntas frequentes
Quanto ganha um pintor por dia em 2026?
A diária do pintor residencial varia de R$ 200 a R$ 350 na maioria das capitais brasileiras. Em São Paulo e Rio de Janeiro, pintores experientes cobram R$ 300 a R$ 400. O pintor predial com NR-35 pode cobrar de R$ 400 a R$ 600 por dia.
Pintor precisa de curso para trabalhar?
Para pintura residencial, não existe exigência legal de curso. Mas para trabalhar em fachadas e altura acima de 2 metros, o certificado NR-35 é obrigatório por lei. Cursos de fabricantes como Suvinil e Coral não são obrigatórios, mas aumentam a empregabilidade e o preço cobrado.
Qual a diferença entre CBO 7166-10 e CBO 7233-15?
O CBO 7166-10 (Pintor de Obras) cobre o pintor de construção civil — paredes, tetos, fachadas. O CBO 7233-15 (Pintor Industrial) cobre quem pinta estruturas metálicas, equipamentos e tubulações industriais. O industrial ganha mais (mediana de R$ 2.622 vs R$ 2.000) porque o trabalho exige conhecimentos técnicos de preparação de superfície metálica e aplicação de tintas especiais.
Pintor pode ser MEI?
Pode. O CNAE adequado é 4330-4/04 (serviços de pintura de edifícios em geral). O MEI permite emitir nota fiscal, o que abre portas para contratos com condomínios e empresas. O custo mensal do DAS é de R$ 75,90 em 2026.
Como saber se o pintor está cobrando um preço justo?
Compare o valor cobrado com a tabela SINAPI da sua região e com a calculadora de pintura do Chama o Pro. Para pintura interna lisa, o preço justo de mão de obra fica entre R$ 18 e R$ 35 por m². Se o pintor cobrar acima de R$ 45/m² para pintura lisa, peça justificativa — pode ser que a parede precise de muito preparo, mas também pode ser preço inflado.