Quanto ganha um pedreiro em 2026: CLT, diária, empreitada por m² e o que separa o salário de R$ 2.100 do de R$ 6.000
Pedreiro CLT ganha mediana de R$ 2.100 em 2026 (CBO 7152-10). Autônomo fatura R$ 4.000-R$ 5.500/mês. Veja piso por estado, valor por m² e como ganhar mais.
Engenheiro Eletricista (UNESP)
R$ 2.100 por mês. Esse é o salário mediano do pedreiro com carteira assinada no Brasil em 2026, segundo dados do CAGED compilados pelo Salário.com.br. O CBO é o 7152-10 — “Pedreiro”, aquele que levanta parede, faz alvenaria, reboco, contrapiso e uma lista enorme de serviços que sustenta a construção civil brasileira.
Só que R$ 2.100 é a mediana CLT — e não é tudo que um pedreiro ganha. O autônomo que cobra diária fatura entre R$ 4.000 e R$ 5.500 por mês, dependendo da região e da agenda. E quem trabalha por empreitada — cobrando por metro quadrado — pode ultrapassar R$ 5.000 num mês bom. A diferença é brutal. Se você pesquisou quanto ganha um pedreiro, a resposta depende de uma escolha: carteira assinada, diária ou empreitada. Cada regime muda completamente o número final.
R$ 2.100 na CLT: a mediana nacional do pedreiro
O pedreiro registrado em carteira (CBO 7152-10) ganha em média R$ 2.230 por mês para uma jornada de 44 horas semanais. A mediana — valor que divide a categoria ao meio — é de R$ 2.100. O piso salarial mínimo registrado no CAGED é de R$ 1.518 e o teto chega a R$ 3.400 (dados Salário.com.br, CAGED 2025).
Esses valores consideram apenas o salário-base anotado em carteira. Horas extras, adicional de insalubridade (trabalho com cimento, poeira e produtos químicos) e periculosidade (trabalho em altura acima de 2 metros, conforme NR-35) não entram nessa conta. Um pedreiro CLT que recebe insalubridade de 20% sobre o salário mínimo e faz horas extras regulares pode ver a remuneração mensal subir R$ 500 a R$ 800 acima do salário-base.
Na prática, a maioria dos pedreiros CLT no Brasil ganha entre R$ 1.800 e R$ 2.800. Quem passa de R$ 3.000 com carteira assinada geralmente trabalha em construtora grande, obra industrial ou manutenção predial de condomínio. Um servente na mesma obra ganha mediana de R$ 1.600 — a diferença de R$ 500 por mês reflete a qualificação técnica do pedreiro.
Quanto o pedreiro ganha por nível de experiência
O CAGED divide os profissionais em três níveis com base no tempo de carteira e na complexidade da função exercida. Para o pedreiro (CBO 7152-10), os números ficam assim:
| Nível | Experiência | Salário médio |
|---|---|---|
| Nível I (júnior) | Até 4 anos | R$ 2.245 |
| Nível II (pleno) | 4 a 8 anos | R$ 2.995 |
| Nível III (sênior) | 8+ anos | R$ 3.869 |
A diferença entre o júnior e o sênior é de 72%. São R$ 1.624 a mais por mês — ou quase R$ 20 mil a mais por ano. O salto maior acontece entre o Nível I e o Nível II: quem passa dos 4 anos de carteira e domina serviços como alvenaria estrutural, laje e impermeabilização sobe de patamar rápido.
O pedreiro que fica no Nível I por muito tempo geralmente é aquele que executa só serviço básico — levantar parede, fazer massa, carregar material. Quem aprende a ler planta, fazer contrapiso nivelado e assentar cerâmica com prumo sai da base mais rápido.
Piso salarial por estado: o que o dissídio garante
O piso salarial do pedreiro é definido pelo dissídio coletivo de cada estado (ou região metropolitana). É o valor mínimo que a construtora pode pagar com carteira assinada. Quem ganha menos que o piso do dissídio está sendo lesado — e pode reclamar na Justiça do Trabalho.
| Estado / Região | Piso mensal | Sindicato |
|---|---|---|
| São Paulo (capital e região) | R$ 2.665 | SINTRACON-SP |
| Rio de Janeiro | R$ 2.577 | Sintraconst-Rio |
| Paraná (Curitiba) | R$ 2.840 | SINTRACON Curitiba |
| Espírito Santo | R$ 2.042 | SINDUSCON-ES |
| Nordeste (média) | R$ 1.785 | Varia por estado |
O Paraná paga o maior piso entre os estados listados — R$ 2.840. São Paulo vem logo atrás com R$ 2.665 (valor para “profissional qualificado”, que inclui pedreiro, armador, carpinteiro, pintor e gesseiro). No Nordeste, o piso fica bem mais baixo, refletindo o custo de vida menor e a menor formalização da mão de obra.
Esses pisos são reajustados anualmente na data-base do dissídio — geralmente em maio (SP) ou março (RJ). O reajuste do SINTRACON-SP em 2025 foi de 6% sobre os salários de abril/2025, aplicado a partir de 1o de maio.
Diária, empreitada ou CLT: três formas de ganhar
O pedreiro no Brasil trabalha basicamente de três formas. A escolha entre elas muda completamente quanto entra no bolso no final do mês.
CLT (carteira assinada): salário fixo, FGTS, 13o, férias remuneradas, INSS patronal, seguro-desemprego em caso de demissão. O pedreiro ganha menos em dinheiro vivo — mediana de R$ 2.100 — mas tem rede de proteção. Em 44 horas semanais, dá R$ 9,55 por hora.
Diária (autônomo): o pedreiro cobra por dia de trabalho. A diária média no Brasil em 2026 fica entre R$ 180 e R$ 250, dependendo da cidade. Em São Paulo capital, a faixa vai de R$ 200 a R$ 350/dia. Fazendo 22 diárias por mês (sem folga no sábado), o autônomo fatura entre R$ 3.960 e R$ 5.500/mês. Mas não tem FGTS, não tem 13o, não tem férias pagas e precisa recolher o INSS por conta própria.
Empreitada (por m2): o pedreiro fecha um preço por metro quadrado do serviço. É a forma que mais paga para quem é produtivo. Um pedreiro rápido que faz 8 m2 de alvenaria por dia a R$ 90/m2 fatura R$ 720 num dia — mais que o dobro da diária. O risco é que obra parada, retrabalho e cliente que demora pra pagar corroem o rendimento real.
Para o pedreiro que está começando, a CLT garante estabilidade e direitos. Para quem já tem carteira de clientes e sabe precificar, a diária ou empreitada pagam de 2 a 3 vezes mais. O caminho mais comum é começar CLT, aprender o ofício, e depois migrar para autônomo — muitos como MEI, que formaliza com CNPJ e nota fiscal por R$ 82/mês de DAS.
Quanto o pedreiro cobra por m² de serviço
Quem trabalha por empreitada precisa saber os valores praticados por metro quadrado. Esses números variam muito por região, mas a referência nacional para 2026 é a seguinte:
| Serviço | Mão de obra / m² | Observação |
|---|---|---|
| Alvenaria + chapisco + reboco | R$ 80 – R$ 97 | Serviço completo, parede pronta |
| Reboco (parede interna) | R$ 20 – R$ 45 | Valor mais alto para acabamento fino |
| Contrapiso | R$ 25 – R$ 40 | Nivelado a laser custa mais |
| Assentamento de piso cerâmico | R$ 40 – R$ 60 | Peças grandes (60x60+) aumentam valor |
| Assentamento de porcelanato | R$ 55 – R$ 90 | Exige mais técnica e argamassa especial |
Esses valores são só de mão de obra — material é por conta do cliente ou entra no orçamento à parte. O pedreiro que trabalha com porcelanato e acabamento fino cobra quase o dobro do que faz só alvenaria bruta. É a especialidade que define o valor do m2.
Na prática, um pedreiro autônomo que faz 6 m2 de reboco por dia a R$ 35/m2 ganha R$ 210/dia — acima da média da diária simples. Quem faz 4 m2 de assentamento de porcelanato a R$ 75/m2 tira R$ 300/dia. A empreitada premia quem é rápido e tem qualidade — se o serviço precisar de retrabalho, o custo sai do bolso do pedreiro.
Pedreiro, mestre de obras e empreiteiro: a escada salarial
Muita gente confunde as três funções. São três profissões diferentes com responsabilidades e salários bem distintos.
O pedreiro executa o trabalho braçal qualificado: levanta parede, faz reboco, assenta piso, prepara argamassa, faz contrapiso. É mão na massa. Mediana CLT: R$ 2.100/mês.
O mestre de obras coordena a equipe no canteiro. Lê planta, distribui tarefas, controla cronograma, pede material, cobra qualidade. É o elo entre o engenheiro e os operários. Não precisa de diploma, mas precisa de experiência — geralmente 10+ anos como pedreiro. Mediana CLT: R$ 3.500/mês, com teto de R$ 6.000 em construtoras grandes.
O empreiteiro é o empresário da obra. Contrata a equipe (pedreiros, serventes, eletricista, encanador), negocia com o dono da obra, compra material quando combinado, fiscaliza prazos e qualidade. Não precisa botar a mão na massa — precisa saber gerir. Fatura entre R$ 4.000 e R$ 8.000/mês, dependendo do porte das obras que gerencia. Muitos empreiteiros atuam como MEI ou ME.
A escada é clara: servente (R$ 1.600) → pedreiro (R$ 2.100) → mestre de obras (R$ 3.500) → empreiteiro (R$ 4.000-8.000). Cada degrau exige menos trabalho braçal e mais gestão. O pedreiro que quer ganhar mais tem dois caminhos: subir para mestre/empreiteiro, ou se especializar em serviços de maior valor por m2.
Como o pedreiro aumenta o salário sem mudar de profissão
Nem todo mundo quer virar mestre de obras. Para quem pesquisa quanto ganha um pedreiro e quer empurrar esse número pra cima sem trocar de cargo, existem caminhos concretos.
Especializar em acabamento. Pedreiro de acabamento ganha mais que pedreiro de estrutura. O piso da categoria é R$ 2.013, mas o teto chega a R$ 3.128 (CAGED 2025). Quem sabe assentar porcelanato retificado, fazer rejunte perfeito e nivelar piso com laser cobra R$ 55 a R$ 90/m2 — contra R$ 20 a R$ 45/m2 do pedreiro de reboco.
Aprender a ler projetos. Pedreiro que interpreta planta baixa, corte e elevação comete menos erros e não depende do mestre de obras para entender o que fazer. Cursos de leitura e interpretação de projetos na construção civil existem gratuitos e online — e esse conhecimento diferencia o profissional na hora da contratação.
Tirar cursos de NR-18 e NR-35. A NR-18 (segurança em obras) e a NR-35 (trabalho em altura) são obrigatórias em obras formais. Pedreiro com certificação atualizada entra mais fácil em construtoras que pagam CLT com adicional de periculosidade. O curso de NR-35 dura 8 horas e custa entre R$ 80 e R$ 200.
Formalizar como MEI. O pedreiro autônomo que abre MEI (CNAE 4399-1/02) emite nota fiscal, recolhe INSS por R$ 82/mês e tem acesso a conta PJ. Na prática, muitos clientes — especialmente condomínios e pequenas construtoras — só contratam quem emite nota. A formalização como MEI não muda o valor da diária, mas abre portas que o informal não alcança.
Dominar uma segunda habilidade. Pedreiro que também faz pequenos serviços de hidráulica ou elétrica básica (trocar torneira, instalar tomada) cobra a diária cheia em vez de chamar outro profissional. Não substitui o especialista em serviços complexos, mas para reforma residencial simples, o profissional “faz-tudo” é mais contratado e cobra mais.
Na calculadora de custo de construção do Chama o Pro você pode simular quanto custa a mão de obra de diferentes profissionais por m2 — útil tanto para quem contrata quanto para quem quer comparar o valor do seu serviço com a média do mercado.
Perguntas frequentes
Quanto ganha um pedreiro por dia?
A pergunta “quanto ganha um pedreiro” muda de resposta quando se fala em diária. A média no Brasil em 2026 fica entre R$ 180 e R$ 250. Em São Paulo capital, o valor sobe para R$ 200 a R$ 350 por dia. O pedreiro autônomo que cobra diária e trabalha 22 dias no mês fatura entre R$ 3.960 e R$ 5.500 — bem acima da mediana CLT de R$ 2.100.
Quanto ganha um pedreiro de acabamento?
O pedreiro especializado em acabamento (assentamento de piso, revestimento, porcelanato) tem piso salarial CLT de R$ 2.013 e teto de R$ 3.128, segundo o CAGED 2025. Como autônomo, cobra de R$ 55 a R$ 90 por m2 de assentamento de porcelanato — serviço que paga quase o dobro da alvenaria bruta.
Pedreiro pode ser MEI?
Pode. O CNAE 4399-1/02 (serviços de alvenaria) permite que o pedreiro se formalize como Microempreendedor Individual. O MEI paga R$ 82/mês de DAS, emite nota fiscal, tem CNPJ e recolhe INSS. O limite de faturamento é de R$ 81 mil/ano (R$ 6.750/mês na média).
Qual a diferença de salário entre pedreiro e mestre de obras?
O pedreiro CLT tem mediana de R$ 2.100/mês. O mestre de obras tem mediana de R$ 3.500 e teto de R$ 6.000. A diferença é de pelo menos R$ 1.400/mês — mas o mestre de obras não executa: ele coordena a equipe, lê planta e controla o cronograma da obra.
Quanto o pedreiro cobra por m2 de alvenaria?
O valor de mão de obra para alvenaria completa (tijolo + chapisco + reboco) fica entre R$ 80 e R$ 97 por m2 na referência nacional de 2026. Só o reboco de parede interna custa entre R$ 20 e R$ 45/m2. Esses valores são de mão de obra — material é cobrado à parte.