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Quanto custa construir uma casa em 2026: custo por m² pelo CUB, tabela SINAPI por etapa e faixas por padrão de acabamento

Construir uma casa em 2026 custa de R$ 2.150 a R$ 4.130 por m² em SP. Veja CUB por padrão, custos SINAPI por etapa da obra e como não estourar o orçamento.

RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP)

Canteiro de obras residencial brasileiro em São Paulo com paredes de alvenaria erguidas, trabalhadores de capacete e sacos de cimento no chão
O CUB de janeiro/2026 em SP é a melhor bússola para estimar quanto sai sua casa do zero

A conta é simples: CUB do seu estado vezes a metragem da casa. Em São Paulo, o CUB residencial normal (R-8) de janeiro/2026 é R$ 2.940 por m² (SINDUSCON-SP). Uma casa de 100 m² sai por volta de R$ 294 mil — sem terreno, sem muro, sem paisagismo. Esse é o ponto de partida. A partir daqui, o que define o custo final é o padrão de acabamento, o tipo de fundação e a sua capacidade de não mudar o projeto no meio da obra.

Construir do zero é diferente de reformar. Na reforma, você herda estrutura, telhado e instalações. Na construção, tudo começa no chão — literalmente. Fundação, alvenaria, laje, telhado, hidráulica, elétrica, revestimento, pintura. São 8 a 12 meses de obra para uma casa térrea de 100 m², e cada etapa tem um peso diferente no orçamento.

Todos os custos deste artigo usam a tabela SINAPI de janeiro/2026 do IBGE e o CUB do SINDUSCON-SP. O SINAPI subiu 1,54% só em janeiro — a maior alta mensal desde junho de 2022 — puxada pela reoneração da folha de pagamento no setor.

Quanto custa o m² conforme o padrão

O CUB é o índice oficial que mede quanto custa construir um metro quadrado no Brasil. Cada estado tem o seu, publicado mensalmente pelo SINDUSCON local. O CUB não inclui terreno, projeto, fundação especial, elevador, ar-condicionado nem equipamentos. Mas é a referência mais confiável para estimar o custo bruto da construção.

Em São Paulo, os valores de janeiro/2026 são:

CUB por padrão de acabamento em São Paulo, janeiro/2026
Padrão Código CUB Custo por m² (SP) Casa de 100 m²
Popular R-1 R$ 2.150 R$ 215.000
Normal / Médio R-8 R$ 2.940 R$ 294.000
Alto padrão R-16 R$ 4.130 R$ 413.000

Popular significa piso cerâmico, forro de PVC, esquadrias de alumínio natural e pintura simples. Normal é porcelanato, forro de gesso, esquadrias de alumínio anodizado e pintura acrílica. Alto padrão é porcelanato retificado grande formato, forro com iluminação embutida, esquadrias de alumínio com vidro temperado e acabamento premium em todos os ambientes.

A diferença entre popular e alto padrão é quase o dobro. E o acabamento é o grande vilão: trocar cerâmica por porcelanato retificado pode custar R$ 30 a mais por metro quadrado só de material, fora a mão de obra mais especializada.

Custo total por tamanho de casa

Multiplicar o CUB pela metragem dá uma estimativa de partida. Mas na prática, casas menores custam mais por m² (os custos fixos de fundação, telhado e instalações se diluem menos) e casas maiores tendem a ter mais metros de parede e cobertura. A tabela abaixo usa o CUB de SP (janeiro/2026) com ajuste de +5% para custos extras não cobertos pelo CUB (fundação especial, muro, calçada):

Custo estimado de construção por tamanho de casa em São Paulo, janeiro/2026
Tamanho Popular (R-1) Normal (R-8) Alto padrão (R-16)
70 m² (2 quartos) R$ 158.000 R$ 216.000 R$ 303.500
100 m² (3 quartos) R$ 225.750 R$ 308.700 R$ 433.650
150 m² (3-4 quartos) R$ 338.600 R$ 463.050 R$ 650.475
200 m² (4+ quartos) R$ 451.500 R$ 617.400 R$ 867.300

Uma casa térrea de 100 m² padrão normal em São Paulo sai em torno de R$ 309 mil. Em Minas Gerais, onde o CUB normal é R$ 2.530/m², a mesma casa sai por R$ 265.650. A diferença entre estados chega a 20%.

Gráfico comparativo de custo de construção de casa de 100 m² por padrão: popular R$ 225 mil, normal R$ 309 mil e alto R$ 434 mil em São Paulo
Casa de 100 m² em SP: do popular ao alto padrão, a diferença é de R$ 208 mil — quase o preço de outra casa popular (CUB SP, jan/2026)

Esses valores não incluem terreno. Em São Paulo capital, um terreno de 250 m² em bairro residencial custa de R$ 200 mil a R$ 1,5 milhão dependendo da zona. No interior, cai para R$ 50 mil a R$ 200 mil. O terreno é orçamento à parte e precisa ser quitado antes de começar a obra.

Quanto se gasta em cada etapa da obra

Construir uma casa passa por 6 grandes fases. Cada uma tem peso diferente no orçamento. Os percentuais abaixo são para uma casa térrea de 100 m² padrão normal em SP. Os custos unitários são SINAPI de janeiro/2026.

Fundação (5-10% do total)

O tipo de fundação depende do solo. Terreno firme e plano = sapata isolada ou baldrame. Terreno inclinado ou solo mole = estaca. A sondagem do solo (SPT) custa R$ 800 a R$ 1.500 e é obrigatória antes de definir o tipo de fundação. Sem ela, o engenheiro está chutando.

Para uma casa de 100 m² com sapata e baldrame em terreno plano, o custo fica entre R$ 15.000 e R$ 25.000. Se precisar de estacas, pode dobrar.

Estrutura e alvenaria (20-25% do total)

Alvenaria de tijolo cerâmico furado 14 cm custa R$ 92,04/m² em SP (SINAPI 87453 — material R$ 33,04 + mão de obra R$ 59,00). Uma casa de 100 m² tem em torno de 180 m² de parede. Custo das paredes: R$ 16.600.

Somando chapisco (R$ 9,44/m²), reboco (R$ 38,94/m²), contrapiso (R$ 36,58/m²), vigas, pilares, laje, cintas de amarração e vergas, o total da fase estrutural fica entre R$ 55.000 e R$ 75.000.

Telhado (8-12% do total)

Estrutura de madeira para telhado sai R$ 96,76/m² em SP (SINAPI 90200). Telha cerâmica colonial mais R$ 70,80/m². Uma casa de 100 m² tem em torno de 120 m² de telhado (considerando beirais). Somando calha, rufo e cumeeira, o custo total fica entre R$ 22.000 e R$ 32.000.

Telha metálica trapezoidal é 10% mais cara na instalação, mas exige estrutura mais leve — no final, empata. A escolha depende mais da estética e da isolamento térmico do que do preço.

Instalações elétricas e hidráulicas (12-18% do total)

Uma casa de 100 m² precisa de 30 a 40 pontos de tomada, 15 a 20 pontos de iluminação, quadro de distribuição, aterramento, 8 a 12 pontos de água e 6 a 8 pontos de esgoto.

Ponto de tomada 2P+T custa R$ 141,60 (SINAPI 91922, SP). Ponto de iluminação, R$ 133,34 (SINAPI 91924). Ponto de água fria, R$ 165,20 (SINAPI 89799). Quadro de distribuição 12 disjuntores, R$ 554,60 (SINAPI 91932).

O total de instalações elétricas e hidráulicas fica entre R$ 28.000 e R$ 45.000, dependendo da quantidade de pontos e do padrão das louças e metais.

Acabamento (20-30% do total)

Aqui entra porcelanato ou cerâmica, pintura, forro de gesso, esquadrias, portas, massa corrida, louças, metais e marcenaria. É a fase que mais varia conforme o padrão.

No padrão normal, assentamento de porcelanato 60x60 custa R$ 82,60/m² em SP (SINAPI 87878). Pintura acrílica interna com massa corrida, R$ 28,32/m² (SINAPI 88489). Forro de gesso convencional, R$ 68,44/m² (SINAPI 88630).

Para 100 m² no padrão normal: piso R$ 8.260, pintura R$ 7.080 (250 m² de parede), forro R$ 6.844, mais portas (R$ 3.000-6.000), esquadrias (R$ 4.000-8.000), louças e metais (R$ 3.000-6.000). Total da fase: R$ 35.000 a R$ 65.000.

Quer calcular item por item? Use a calculadora de construção do site.

Breakdown dos custos de construção por etapa: acabamento 25%, estrutura e alvenaria 23%, instalações 15%, telhado 10%, fundação 7% e documentação 3%
Acabamento é a etapa mais cara — e a que mais varia entre o padrão popular e o alto padrão (SINAPI, SP, jan/2026)

Impermeabilização (2-4% do total)

Impermeabilização de laje com manta asfáltica 3 mm custa R$ 73,16/m² em SP (SINAPI 90762). Box de banheiro com manta líquida, R$ 59,00/m² (SINAPI 90768). É uma etapa que muita gente corta para economizar — e paga caro depois. Infiltração em laje destrói forro, pintura e até estrutura. Custo: R$ 5.000 a R$ 10.000 para uma casa de 100 m².

Custos que ninguém coloca na planilha

A obra em si é só uma parte do gasto. Tem uma lista de custos extras que pega o dono de primeira viagem de surpresa:

Projeto e responsabilidade técnica. Projeto arquitetônico custa de R$ 25 a R$ 80 por m² (engenheiro ou arquiteto). Para 100 m², de R$ 2.500 a R$ 8.000. A ART (Anotação de Responsabilidade Técnica do CREA) custa de R$ 200 a R$ 800 dependendo do valor da obra. Sem ART, a obra é irregular. Se algo der errado, ninguém responde.

Alvará de construção. Taxa da prefeitura que autoriza a obra. Varia por cidade: em São Paulo, gira em torno de R$ 300 a R$ 500 para casa residencial. Sem alvará, a obra pode ser embargada.

Habite-se. Certificado de conclusão que a prefeitura emite após a vistoria. Custa de R$ 2.000 a R$ 5.000 dependendo da cidade e da metragem. Sem habite-se, você não consegue financiar, vender nem escriturar o imóvel.

Ligações de água, esgoto e energia. De R$ 1.500 a R$ 4.000 no total. Inclui taxa de ligação da concessionária, medidor e eventual extensão de rede.

Muro, calçada e paisagismo. Muro de divisa de 2 metros custa R$ 295,00 por metro linear em SP (SINAPI 87480). Uma casa com 40 metros de perímetro = R$ 11.800 só de muro. Calçada e portão somam mais R$ 3.000 a R$ 6.000.

Imprevistos. Reserve 10 a 15% do orçamento total. Terreno que precisa de contenção, tubo de esgoto que não estava no projeto, chuva que atrasa a obra 3 semanas. Sem reserva, a obra para.

Somando tudo: de R$ 20.000 a R$ 45.000 em custos extras que não aparecem no CUB.

Como não estourar o orçamento

Obra estoura por 3 motivos: mudança de projeto no meio da construção, orçamento subestimado de propósito (empreiteiro que dá preço baixo para fechar e cobra “extras”) e falta de reserva para imprevistos. Contra os três, a defesa é a mesma: planejamento.

Feche o projeto antes de começar. Cada mudança durante a obra custa de 2 a 5 vezes mais do que teria custado se planejada antes. Quer mudar a posição da cozinha depois que a hidráulica já está no chão? Prepara R$ 3.000 a R$ 5.000 para quebrar e refazer.

Contrate por empreitada, não por diária. Na empreitada, o empreiteiro recebe por etapa concluída. Na diária, recebe por dia trabalhado — e tem incentivo para demorar. O SINAPI é calculado por empreitada. Diária de pedreiro em SP gira em torno de R$ 250 a R$ 350. Na empreitada, o custo total costuma sair 15 a 20% menor.

Exija contrato e ART. Obra sem contrato é cilada. Se o mestre de obras sumir no meio, você não tem recurso legal. A ART garante que um engenheiro está responsável pela obra. Sem ART, a prefeitura pode negar o habite-se.

Compre material por fase. Não compre todo o material de uma vez. Compre o da fundação, depois o da alvenaria, depois o do telhado. Preço de material varia todo mês — o SINAPI subiu 1,54% só em janeiro/2026. Comprar tudo no início pode parecer economia, mas se a obra atrasar, você paga armazenamento e risco de furto.

Acompanhe a obra. Visite o canteiro pelo menos 3 vezes por semana. Confira se o que está sendo executado bate com o projeto. Tire fotos. Problemas pegados cedo custam centavos; pegados tarde, milhares.

Financiar ou pagar à vista

Pagar a construção inteira à vista é raro. A maioria financia pelo menos parte. As opções em 2026:

Minha Casa Minha Vida (Construção Individual). Para famílias com renda de até R$ 8.600/mês (Faixa 3) ou até R$ 12.000 (Faixa 4, nova em 2026). Taxas de 4% a 10,5% ao ano, prazo de até 35 anos, limite de R$ 500 mil. O terreno precisa estar regularizado e o projeto aprovado na prefeitura. O dinheiro é liberado por medição: o engenheiro da Caixa visita a obra a cada etapa e só libera a parcela se a fase anterior estiver concluída.

Financiamento de construção (SBPE). Para quem não se enquadra no MCMV. Taxas de 10% a 12% ao ano + TR, prazo de até 35 anos. Exige terreno próprio, projeto aprovado e cronograma de obra. A CBIC projeta crescimento de 2% para o setor em 2026, sustentado pelo orçamento recorde do FGTS para habitação.

Construir por conta. Sem financiamento. Você paga cada fase com recursos próprios. Vantagem: sem juros. Desvantagem: a obra depende do seu fluxo de caixa. Se o dinheiro acabar, a obra para — e obra parada deteriora. Chuva em laje sem telhado, ferragem exposta que enferruja.

Faça a conta antes: uma casa de R$ 300 mil financiada em 30 anos a 10% a.a. custa R$ 640 mil no total. Use a calculadora de construção para simular o seu cenário.

Perguntas frequentes

Quanto custa construir uma casa de 100 m² em 2026? De R$ 225 mil (padrão popular) a R$ 434 mil (alto padrão) em São Paulo, sem terreno. O CUB de referência é de janeiro/2026: R$ 2.150/m² (popular), R$ 2.940/m² (normal) e R$ 4.130/m² (alto). Some 5 a 15% para custos extras (projeto, documentação, muro, imprevistos).

Qual a diferença entre CUB e SINAPI? O CUB é um índice estadual que dá o custo médio do m² construído por padrão. O SINAPI é uma tabela federal com custos unitários por serviço (ex: m² de alvenaria, ponto de tomada). Use o CUB para estimar o total e o SINAPI para detalhar cada etapa.

Preciso de alvará para construir? Sim. O alvará de construção é obrigatório em todas as cidades do Brasil. Construir sem alvará é infração — a obra pode ser embargada e você não consegue o habite-se depois. O alvará custa de R$ 300 a R$ 500 na maioria das cidades.

Quanto tempo leva para construir uma casa? Casa térrea de 100 m²: 8 a 12 meses. Sobrado de 150-200 m²: 12 a 18 meses. Esses prazos consideram obra contínua sem parada. Chuva, falta de material e problemas com mão de obra podem estender em 20 a 30%.

Vale mais a pena construir ou comprar pronto? Depende da região. Em cidades onde o m² de imóvel pronto custa mais de 30% acima do CUB, construir compensa — se você tiver terreno e paciência. Em condomínios fechados com terrenos baratos, a vantagem é clara. Na capital de SP, onde terreno custa quase tanto quanto a casa, comprar pronto pode sair mais simples.

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