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Como ser eletricista em 2026: formação, NR-10, registro profissional, ferramentas e primeiros passos na carreira

Para ser eletricista profissional é preciso curso técnico ou livre, NR-10 obrigatória e registro no CFT. Veja formação, ferramentas, MEI e como captar clientes.

RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP)

Técnico eletricista brasileiro com equipamentos de segurança instalando fiação em quadro de distribuição em obra residencial de São Paulo
NR-10 e curso técnico transformam o eletricista informal em profissional disputado pelo mercado

Não comece a trabalhar com eletricidade sem curso e sem NR-10. O Brasil registrou 840 mortes por acidentes elétricos em 2024 — e a maioria aconteceu dentro de casa, por falha humana, segundo o Anuário da Abracopel. Para ser eletricista profissional em 2026, o caminho mínimo exige três coisas: um curso de formação (técnico em eletrotécnica ou profissionalizante), a certificação NR-10 e, se você for técnico de nível médio, registro no CFT. O processo leva de 6 meses a 2 anos, dependendo do tipo de curso, e o investimento total fica entre R$ 2.000 e R$ 5.000.

Abaixo está o roteiro completo — do primeiro curso até o primeiro cliente.

O que NÃO fazer: erros que travam a carreira de eletricista

O erro mais grave é trabalhar com eletricidade sem formação. Eletricidade não é tentativa e erro. Foram 2.373 acidentes elétricos registrados em 2024, um aumento de 11,6% em relação a 2023, segundo a Abracopel. Dos 1.077 choques, 759 resultaram em morte.

Atuar sem NR-10 é infração gravíssima. A empresa que coloca um profissional sem certificação para mexer em eletricidade leva multa a partir de R$ 6.708 por empregado (NR 28, grau 4). O eletricista autônomo sem NR-10 também fica vulnerável: se acontecer um acidente no imóvel do cliente, a responsabilidade civil recai sobre quem executou o serviço.

Outro tropeço comum: ignorar o registro profissional. Desde 2018, técnicos de nível médio em eletrotécnica devem se registrar no CFT — não mais no CREA. Sem registro, você não emite TRT (Termo de Responsabilidade Técnica) e perde acesso a obras que exigem documentação.

E tem o clássico: comprar ferramentas baratas sem isolação. Alicate universal sem isolação de 1000V é risco de choque em qualquer quadro de distribuição energizado. Economia de R$ 50 na ferramenta pode custar a vida.

Formação: curso técnico em eletrotécnica, SENAI e cursos livres

Existem três caminhos de formação, e a escolha depende do tempo e do investimento que você tem disponível.

O curso técnico em eletrotécnica é a formação mais completa para nível médio. No SENAI, tem carga horária de 1.200 horas e dura de 18 a 24 meses. A grade inclui eletricidade básica, circuitos elétricos, automação, instalação elétrica residencial e industrial, e normas da NBR 5410 — a norma brasileira de instalações elétricas de baixa tensão. Você aprende a dimensionar fiação, instalar eletroduto, montar quadros com disjuntor e fazer leitura de projetos. Requisito mínimo: ensino médio completo.

Os cursos livres e profissionalizantes são mais rápidos. Têm carga horária de 160 a 600 horas e são oferecidos pelo SENAI, SENAC e escolas privadas. São suficientes para atuar como eletricista residencial, mas não dão direito a registro no CFT. O requisito costuma ser ensino fundamental completo e 18 anos de idade.

Para quem quer nível superior, existe o tecnólogo em eletrotécnica industrial: 2.400 horas, voltado para indústria e automação. Com esse diploma, o registro é no CREA — e as portas para projetos de maior porte se abrem.

Na prática, a maioria dos eletricistas residenciais no Brasil começa por um curso profissionalizante de 200 a 400 horas no SENAI. É o caminho mais rápido e mais acessível. O investimento fica entre R$ 800 e R$ 2.500, dependendo da unidade e da cidade.

NR-10: a certificação que separa amador de profissional

A NR-10 (Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade) é obrigatória para qualquer pessoa que trabalhe com eletricidade no Brasil. Sem ela, você não pode ser contratado por nenhuma construtora, empresa de manutenção ou condomínio que siga a lei.

O curso básico tem 40 horas de carga horária. Cobre riscos elétricos, medidas de controle, EPI obrigatório, procedimentos de trabalho e primeiros socorros. É oferecido presencial e online — a maioria dos empregadores aceita o certificado digital.

O custo vai de R$ 185 a R$ 400, dependendo da escola e da modalidade. Presencial é mais caro, mas inclui prática com equipamentos reais. Online resolve para quem já tem experiência e precisa do certificado.

A validade é de 2 anos. Depois disso, reciclagem obrigatória. A reciclagem também é exigida quando o profissional muda de função, troca de empresa ou retorna de afastamento superior a 3 meses.

Quem trabalha com alta tensão (acima de 1.000V) precisa do curso complementar SEP: mais 40 horas, focado no Sistema Elétrico de Potência. Eletricista residencial geralmente não precisa — baixa tensão é até 1.000V, e a maioria das casas e apartamentos opera em 127V ou 220V.

Novidade em 2026: a CTPP (Comissão Tripartite Paritária Permanente) aprovou nova versão da NR-10 em dezembro de 2025, com publicação prevista para o primeiro semestre de 2026. A reciclagem passa a ter carga horária de 75% do curso original.

Infográfico com as 5 etapas para se tornar eletricista profissional: curso, NR-10, registro, ferramentas e primeiro serviço, com investimento total de R$ 2.485 a R$ 5.900
Do primeiro curso ao primeiro cliente: o investimento total fica entre R$ 2.485 e R$ 5.900

NR-35: quando você precisa dessa segunda certificação

A NR-35 é obrigatória para qualquer trabalho acima de 2 metros do nível inferior. Eletricista que instala em poste, fachada, telhado ou caixa d’água precisa dessa certificação.

O treinamento básico tem 8 horas. Cobre análise de risco, procedimentos, uso de EPIs específicos e resgate em altura. Com a Portaria MTE nº 1.680/2025, as regras foram atualizadas e entraram em vigor em janeiro de 2026.

Os EPIs de trabalho em altura são caros, mas obrigatórios: cinto de segurança tipo paraquedista, trava-quedas retrátil, talabarte em Y, mosquetões e capacete com jugular. O kit completo custa entre R$ 400 e R$ 1.200.

Se você pretende atuar apenas em instalações residenciais internas — tomadas, quadros de distribuição, iluminação —, a NR-35 não é necessária. Mas se aceitar serviços em prédios, postes ou telhados, é obrigatória. E o mercado de manutenção predial, que paga melhor, exige.

Registro profissional: CREA, CFT ou nenhum?

A confusão é comum. Até 2018, técnicos de nível médio se registravam no CREA. Desde a Lei 13.639/2018, quem tem curso técnico em eletrotécnica deve se registrar no CFT (Conselho Federal dos Técnicos Industriais).

O CREA ficou restrito a engenheiros e tecnólogos. Se você fez tecnólogo em eletrotécnica ou engenharia elétrica, o registro é no CREA. Se fez técnico de nível médio, CFT.

E se você fez apenas um curso profissionalizante ou livre? Não existe registro obrigatório em conselho. Você pode atuar legalmente com a NR-10 em dia. Não pode emitir ART nem TRT, o que limita o tipo de obra que aceita — mas para serviços residenciais simples (troca de tomada, instalação de luminária, ponto elétrico), é suficiente.

O registro no CFT é feito online, no site do conselho. Exige diploma do curso técnico reconhecido pelo MEC, pagamento de taxa de avaliação e anuidade. O processo leva de 15 a 30 dias.

Registro profissional por tipo de formação do eletricista
Formação Duração Registro Pode emitir
Curso livre/profissionalizante 160-600h Nenhum obrigatório
Técnico em eletrotécnica 1.200h (18-24 meses) CFT TRT
Tecnólogo em eletrotécnica 2.400h (2-3 anos) CREA ART
Engenheiro eletricista 5 anos (graduação) CREA ART

Ferramentas básicas: o kit que você precisa pra começar

O investimento inicial em ferramentas fica entre R$ 1.500 e R$ 3.000. Não tente economizar nos itens de segurança — ferramentas isoladas custam mais, mas evitam choque em quadro energizado.

O item mais importante é o multímetro. Mede tensão, corrente, resistência e continuidade. É o que separa o diagnóstico profissional do chute. Um multímetro digital decente custa de R$ 80 a R$ 300.

O restante do kit essencial inclui: jogo de alicates isolados 1000V (universal, corte e bico), chaves de fenda e Phillips isoladas, alicate amperímetro, passa-fio (sonda), trena de 7,5m, furadeira/parafusadeira a bateria, nível bolha, arco de serra e alicate decapador de fios.

Dois erros de iniciante: comprar tudo de uma vez gastando demais, ou comprar ferramentas genéricas sem isolação. O caminho do meio funciona melhor — comece com as ferramentas isoladas essenciais (alicates + chaves + multímetro) e vá complementando conforme os serviços aparecem.

Se quiser calcular o custo dos serviços elétricos que vai oferecer, use a calculadora de serviços elétricos com valores baseados no SINAPI.

Primeiro emprego vs trabalho autônomo

O eletricista CLT ganha em média R$ 2.528 por mês para uma jornada de 44 horas semanais (CBO 715610, dados CAGED 2025 compilados pelo Salário.com.br). Com FGTS, 13º e férias remuneradas, a remuneração total fica acima disso.

O eletricista autônomo fatura entre R$ 4.500 e R$ 8.000 por mês, mas sem rede de proteção: nada de FGTS, férias pagas ou 13º. E nos meses fracos, a renda pode cair pela metade.

O mercado está aquecido. As contratações formais de eletricista de instalações cresceram 28,37% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, segundo o CAGED. A construção civil criou mais de 218 mil empregos formais nos primeiros nove meses de 2025.

Para o primeiro emprego, os caminhos mais comuns são construtoras, empresas de manutenção predial e concessionárias de energia. Num canteiro de obras, você trabalha ao lado de mestre de obras, servente e empreiteiro — e aprende o ritmo real da construção civil. O SENAI costuma ter parcerias com empresas que contratam direto do curso. Outra opção é começar como ajudante de eletricista — o salário é menor (R$ 2.300/mês), mas você aprende na prática.

Se a ideia é trabalhar por conta, comece aos poucos. Faça serviços para conhecidos enquanto ainda tem outra renda. Monte portfólio com fotos de antes e depois. Prepare um orçamento detalhado por escrito para cada serviço — profissionalismo fecha contrato. E formalize com MEI assim que a demanda justificar. Mais sobre quanto a profissão paga: quanto ganha um eletricista em 2026.

Comparação entre eletricista CLT com salário de R$ 2.528 e autônomo com faturamento de R$ 4.500 a R$ 8.000, incluindo benefícios, estabilidade e INSS
CLT oferece estabilidade; autônomo oferece renda maior — a escolha depende do momento da carreira (dados CAGED 2025)

MEI para eletricista: CNAE 4321-5/00

Eletricista pode ser MEI. O CNAE permitido é 4321-5/00 — Instalação e manutenção elétrica. A formalização é gratuita e feita pelo Portal do Empreendedor.

O limite de faturamento é R$ 81 mil por ano (R$ 6.750 por mês na média). O DAS mensal custa R$ 71,60 (R$ 66,60 de INSS + R$ 5,00 de ISS). É o custo fixo mais baixo de formalização que existe no Brasil.

Com o MEI, você tem CNPJ ativo, pode emitir nota fiscal, tem INSS em dia e pode abrir conta bancária PJ. Três vantagens práticas que o eletricista informal não tem — e que fazem diferença na hora de fechar contrato com condomínio, construtora ou cliente exigente.

O limite é de 1 funcionário registrado. Se precisar de ajudante fixo, pode contratar com carteira pelo MEI — mas só um.

Quer entender melhor as regras de contratar MEI para serviços de reforma? Veja o guia completo sobre contratar MEI para reforma.

Como captar os primeiros clientes

O primeiro cliente quase sempre vem por indicação. Faça bem feito para amigos e vizinhos e peça que recomendem. Reputação é a ferramenta de venda mais forte que eletricista autônomo tem.

Cadastre seus serviços de eletricista no Google Meu Negócio — é grátis e coloca você no Google Maps. Quando alguém pesquisar “eletricista perto de mim”, seu perfil aparece com telefone, endereço e avaliações.

Redes sociais funcionam. Instagram e Facebook com fotos de antes e depois dos serviços atraem clientes da região. Não precisa ser profissional: foto tirada com celular do quadro de distribuição organizado, da tomada instalada corretamente, do fio passado sem emenda. Mostre o resultado.

Plataformas como GetNinjas e Triider conectam profissionais a clientes. A comissão existe, mas para quem está começando e precisa de volume, pode valer como trampolim.

Um detalhe que faz diferença: adesive seu carro ou moto com nome, telefone e “eletricista NR-10”. Quem passa pelo seu veículo estacionado em frente a uma obra já sabe o que você faz. É marketing barato que funciona todo dia.

Se ainda não viu quanto cobrar por cada tipo de serviço elétrico, consulte a tabela completa em quanto custa um eletricista em 2026.

Perguntas frequentes

Preciso de faculdade para ser eletricista?

Não. O curso técnico em eletrotécnica (1.200h) ou um curso profissionalizante (160-600h) é suficiente para atuar na área residencial e comercial. Faculdade de engenharia elétrica é outra carreira — com escopo, salário e responsabilidades diferentes.

Quanto tempo leva para se tornar eletricista?

De 6 meses a 2 anos. Um curso profissionalizante de 200h leva cerca de 3 meses. O técnico em eletrotécnica do SENAI leva 18 a 24 meses. Some 1 semana para a NR-10 (40h) e você já pode começar a atuar.

Eletricista precisa de CREA?

Depende da formação. Técnico de nível médio registra no CFT (desde 2018, pela Lei 13.639). Tecnólogo e engenheiro registram no CREA. Quem tem apenas curso livre não precisa de registro em conselho — mas a NR-10 continua obrigatória.

Quanto custa tirar a NR-10?

De R$ 185 a R$ 400, dependendo da escola e da modalidade (online ou presencial). A validade é de 2 anos. A reciclagem costuma custar menos que o curso inicial.

Eletricista pode ser MEI?

Sim. O CNAE 4321-5/00 (Instalação e manutenção elétrica) é permitido para MEI. O DAS mensal é de R$ 71,60. Limite de faturamento: R$ 81 mil por ano. Abertura gratuita pelo Portal do Empreendedor.

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